Thursday, March 29, 2007
Guia Underground de Leitura do Morcego
Acompanhar a trajetória de um personagem clássico nunca é tarefas das mais fáceis, principalmente quando o recém empossado “fã” é oriundo de outras mídias* (cinema e TV). Quando não é complicado adquirir discernimento entre a versão em celulóide e o que realmente está em vigor, em celulose (ou “jpg”, fazer o quê?), é extremamente dispendioso (R$) arriscar-se pelo mar sem fim chamado "cronologia".Na verdade, esse é um dos grandes motivos pelos quais o público consumidor de quadrinhos do eixo DC-Marvel tornou-se velho. Sem renovação aparente: ora são antigos leitores que resgataram velhos hábitos, ora são aqueles outrora pequeninos que ao longo do tempo aumentaram seu poder de compra.
Numa era marcada pela ascensão do rápido e prático ‘mangá’, com tramas pautadas na objetividade criativa (início, meio e fim), personagens (quase) septuagenários como o Batman (de 68 anos de idade) perdem cada vez mais terreno.
Se o leitor novato não tem cabeça boa, troca fácil os pés pelas mãos e logo desiste**.
* As crianças que assistem ao desenho animado, compram os brinquedos. Os leigos procuram os quadrinhos, mas surpreendem-se com os preços e optam por outras vias: games ou HQs digitalizadas. Fato inconteste é que os habituais leitores não deixam de "folhear" sua revista mensal preferida mesmo que para isso ela esteja ali, a um "clic" de distância.
** E com muitos motivos: quem nunca na vida leu a revista do homem-morcego e se aventura pagando "R$ 6,90" por sua mais recente edição (#50), só fica feliz por conta do belo (?) pôster de Jim Lee, isto, pois, a maioria das histórias de seu conteúdo, são apenas seguimentos de outras que já se entrelaçam já tem mais de dois anos. Isso, se não somarmos o sem número de tie-ins da Crise Infinita.
Há algumas alternativas underground que podem facilitar um pouco a vida deles (ou a sua):
(01) Ponderação >>>
Gostou do filme? Gostou do desenho animado? O conselho que dou é não procurar de imediato as revistas mensais. Elas geralmente estão há anos-luz de qualquer conceito que acabara de formar.
(02) Condicionamento >>>
O que fazer então? Instale no seu subconsciente uma linha cronológica imaginária. Se o personagem não tem um início, meio e fim demarcado, invente um.
(03) Primeiros Passos >>>
Tomemos como exemplo, "Batman". Delimite-o a partir de Ano Um* de Frank Miller & David Mazzucchelli – no quarto dia de existência, há um entrave que pode vir a se tornar uma resolução antecipada de sua jornada (Batman Chronicles #19: Encontro com um Anjo de Steve Englehart & Javier Pulido – esta última complementar, portanto leitura opcional).Após a leitura supra, tente** não ler nada dentro de uma semana. Sei que ficarás sedento, mas peço-lhe para não ceder às tentações. Você irá entender quando estiver diante de nossa próxima parada;
* Existe um controverso Ano Dois roteirizado por Mike W. Barr com ilustrações de Alan Davis, Paul Neary e um Todd McFarlane debutando (bem menos afetado que o contemporâneo).
O foco das intrigas é a improvável humanização e personificação de Joe Chill, o assassino de Thomas e Martha Wayne. Filio-me a corrente que considera isso uma balbúrdia sem tamanho.
Há quem goste, e respeito isso, mas vejo aí um dogma difícil de ser afastado.
** O ideal seria ler o conteúdo de cada item mensalmente e não “uma atrás da outra”.
(04) Caprichos >>>
Sei que falei para evitar edições mensais num primeiro momento, e sim, isso está valendo, mas não posso seguir adiante sem citar um dos melhores one-shot que li na vida: Batman #430: Desejo Fatal de Jim Starlin & Jim Aparo. Na respectiva, um homem que acabara de ser demitido, usa um rifle na cobertura de um prédio e atira aleatoriamente nos transeuntes. Até o momento são cinco mortos e três feridos. Sem opções, Jim Gordon convoca Batman para evitar que o massacre continue.À medida que se espreita no edifício para não atrair a atenção do atirador, uma frase que o mesmo profere ecoa fazendo-o lembrar (em flashback) de algo parecido em sua infância. Ao fim, sem cerimônias, leia Guerra ao Crime de Paul Dini & Alex Ross e veja na mesma uma declaração de intenções de Bruce Wayne, bem como um novo verbete para o termo “crime”.
(05) Um Conto >>>
Obedecendo aos quatro itens iniciais você terá uma boa noção de quem Bruce Wayne é hoje, no entanto, receio que precises ir mais fundo nisso. Portanto, empanturre-se de Um Conto de Batman, série de especiais que seguem a premissa de Ano Um atendo-se aos primórdios do Cavaleiro das Trevas.É um tanto quanto ingrata a tarefa de enquadrar qual das minisséries é a minha favorita, mas vou citá-la mesmo assim: a felizarda é Coma de Scott Hampton (argumento e arte).
Nela, Bruce vive uma experiência única quando um motorista bêbado, dirigindo uma caminhonete, choca-se com sua limusine. Os ferimentos são tão graves que o deixam em coma. Agora, se quiser mesmo reaver sua vida, terá que fazer uma travessia e romper alguns obstáculos no além-vida, ao lado de inesquecíveis coadjuvantes, dentre os quais, um deles (Mary McClellan) é sua alma gêmea. Soberba em todos os aspectos. Ótima para se ler num domingo à tarde, após aquela soneca do almoço.
E num distante* segundo lugar, Tao (de Alan Grant & Arthur Ranson), uma história ambientada em boa parte no período em que Bruce se auto-exilou em busca de aprimoramento físico e mental para tornar-se uma força do bem contra a escória de Gotham.
* Não por conta de sua qualidade (nada disso!), o lance é mais porque Coma está num patamar completamente transcendental, imune a comparações mundanas como as minhas.
Dentro desse mesmo círculo chamo também a baila a recente Pretérito Futuro de Joe Casey & Cully Hamner, onde se dá ascensão acionária de Bruce nas Empresas Wayne e o primeiro contato de Batman com um Serial Killer.Não faz o tipo de minissérie que agrada a gregos & troianos, mas gosto muito do resultado final quando temos um vislumbre da tempestade de fúria autocontida que era o Bruce após sua peregrinação. Algumas seqüências, na minha ótica, já são clássicas, como por exemplo, seu exame médico (ver 01-02-03) e as várias seqüências em silêncio* (sepulcral), treinando nas instalações recém inauguradas da caverna.
* Já dizia o sábio: poucas coisas causam tanta perturbação quanto um silêncio perturbador. E, salvo me engano, silêncios perturbadores moram na tensão.
Outro ponto alto em Pretérito Futuro é o tom violento (ver 01-02-03) e desconcertante, impregnado em toda a trama, principalmente no clímax.
(06) O Bobo da Corte >>>
A DC Comics abusa bastante da capacidade do Coringa como arqui-rival de Bruce Wayne, mas pouquíssimos materiais são relevantes. Um deles é o recente especial O Homem que Ri de Ed Brubaker & Doug Mahnke.Trata-se de uma sombria releitura do primeiro encontro de Batman com o palhaço do crime, acrescendo novos anglos ao original. Em especial, quando o então Capitão James Gordon adentra na fábrica abandonada e se depara com dezenas de corpos mutilados, todos com um sorriso perturbador. O parecer de Batman você pode ver logo acima.
Imediatamente depois, leia A Piada Mortal de Alan Moore e & Brian Bolland.
Muito já foi dito sobre essa obra-prima, portanto, insira em seu córtex sabendo que ambas as leituras se complementam.
Nos convém ainda uma teoria bastante anticonvencional à respeito da sanidade do "albino" em tela: e se porventura ele não for louco?Bem, a idéia veio de Paul Dini & Alex Ross em Estudo de Caso, um fascinante conto* (de oito páginas) publicado há pouco em DC Especial #04: Batman Preto & Branco (Vol.2) – ver item 13-c.
* Nessa mesma esteira, enquanto pesquisava material para fundamentar o presente texto, encontrei outra historieta (por Archie Goodwin & Gene Ha) sobre a esfera de influência que os internos do Asilo Arkham mantêm sobre seus médicos e o exterior (leia-se, "Batman").
(07) Distúrbio de Personalidade Múltipla >>>
Harvey Dent é um dos antagonistas mais subestimados dos quadrinhos. Forçando todas minhas sinapses ao ponto de quase fundir os poucos neurônios que o álcool não destruiu, encontrei apenas três passagens realmente relevantes em toda sua carreira. São elas:(a) Sua própria origem, magistralmente atualizada em O Olho de Quem Vê, publicada em Batman Anual #02 pela Editora Abril.
Aqui, Andrew Helfer & Chris Sprouse reescrevem a aliança forjada entre Batman, o Capitão James Gordon e o Promotor Público Harvey Dent buscando facilitar a via-crúcis trilhada desde a interceptação do criminoso até sua eventual condenação no tribunal.
E por um tempo isso foi bom. Produção impecável de provas, indiciamentos recordes, bandidos escorregadios finalmente presos... Para Bruce e Jim a palavra era “eficiência”, para Harvey, “obsessão”. Se tudo já começava a desabar com rompantes de fúria, stress e traumas mal resolvidos... Surtar de vez, depois de ter parte do rosto desfigurado, foi um pulo.
(b) O próximo e marcante ato do Duas-Caras está presente na excelente minissérie de Scott Beatty, Chuck Dixon & Javier Pulido, Robin Ano Um (presente em Batman Premium #19-21), quando frustra uma ação de resgate da “dupla dinâmica” a um Juiz (Lawrence Watkins), tido pelo próprio como corrupto.
O desenlace não poderia ser pior: Dick Grayson é espancado até quase a morte.
(c) Em DC Especial #08 (da Panini), no segundo volume* de ‘Gotham Central’, quando engendrou um estranho plano para conquistar o coração da Detetive Renee Montoya.
* Ganhador do Eisner Awards 2004 na categoria ‘melhor história seriada’ (ou arco de histórias).
(08) Porta Giratória >>>
Às vezes é necessário ler Batman diante de um prisma psicodélico e assustador. Portanto, faz-se mister a leitura non stop de Asilo Arkham de Grant Morrison & Dave McKean.Atente-se para a pouco convencional galeria de vilões no fim da revista: cada página apresenta de forma perturbadora o desequilíbrio e o potencial de cada um (dentre os quais, destaco o próprio Batman, a "divindade" de Maxie Zeus, a alternância de personalidades de Harvey e, por fim, as monossilábicas marcas das garras de Crocodilo).
O sanatório judiciário de Gotham ainda foi revisitado em Asilo Arkham: Inferno na Terra (da Mythos Editora) de Dan Slott & Ryan Sook, trazendo consigo a história de Warren White, um magnata – conhecido em toda Gotham como “Grande Tubarão Branco” – que respondia na justiça a diversos crimes do colarinho branco e teve a “brilhante” idéia de alegar “insanidade temporária” visando uma pena mais branda.Todavia, a manobra jurídica pode realmente lhe custar à sanidade, visto que será obrigado a cumprir a respectiva "pena atenuada" na companhia de Harvey Dent (Duas-Caras), Pamela Isley (Hera Venenosa), Jonathan Crane (Espantalho) Edward Nigma (Charada), Jervis Tetch (Chapeleiro Louco), Waylon Jones (Crocodilo), Arnold Wesker (Ventríloquo), Coringa e muitos outros criminosos insanos do Asilo Arkham (inferno, é apelido!).
Para a posteridade:
pág 20-21: Jim Gordon reclamando das constantes brechas na segurança do hospício penitenciário e, por tabela, da inaptidão profissional de seus funcionários (ver 01-02);
pág 33: Só os mais atentos entenderão de imediato o teor da piada, mas a nota de rodapé a esclarece.
pág 35: Jeremiah Arkham refuta todos os "progressos" do paciente e descarta qualquer chance de reabilitação. Motivo? Desforra.
pág 43-44: Ser "capacho de vilão" em tese garante a sobrevivêncina do indivíduo na cadeia alimentar da instituição (ver 01-02).
pág 51: "O Asilo arkham não é uma instituiçao qualquer para criminosos insanos. Somos a nata da insanidade. Uma 'Harvard' para psicopatas" (Jeremiah Arkham).
pág 81-83: O reencontro* do Guarda Cash com Waylon Jones (ver 01-02-03) no melhor estilo "Capitão Gancho".
pág. 136: Etrigan** fica encantado com o potencial de White (agora um louco de carteirinha!).pág. 138: "Jim tem razão. Arkham não passa de uma enorme porta giratória" (Bruce Wayne).
* No primeiro, ele perdeu parte do braço esquerdo.
** Interessante constatar que a cria mais deplorável (no bom sentido) de Jack Kirby não tem lá um histórico generoso quando bate de frente com "loucos". Aliás, se me permite o trocadilho, "sofre o diabo" em cotejos de tal magnitude.
Alguém lembra de Lobo está Morto de Keith Giffen, Alan Grant & Simon Bisley?
A coisa aí foi tão feia que o pobre demônio chegou a "perder a rima", acredite (ver 01-02)!
Prepare seu joelho, curvar-se a mestres como Dennis O’Neil & Neal Adams ou Archie Goodwin & Alex Toth é um praxe necessário. Indigne-se, soldado. Indigne-se porque Kevin Nowlan nunca foi artista regular do morcego. Renda-se aos clássicos.Dito isto, dou-lhe uma chance única:
(a) Detective Comics #397, 404*, 408 e 410** (todas de O’Neil & Adams) – de uma época*** (anos 70) que o Batman era mais detetivesco e menos “dentes cerrados” (Frank "DK" Miller®).
* Um inesquecível encontro com o Barão Hans Von Hammer, o temido Ás Inimigo da 2ª Guerra Mundial, homenageando página a página os mestres Robert Kanigher & Joe Kubert.
** Adaptada fielmente no episódio Sideshow (Show à Parte) na 3ª temporada de Batman: The Animated Series.
*** Deveria fazer parte do item 13, mas considero de bom alvitre antecipar a leitura de Batman: Operação Escócia (da Mythos Editora) de Alan Grant & Frank Quitely para este momento específico, uma vez que este Bruce Wayne tem todos os atributos desse período.Ispirado em fatos históricos e com um estupendo ás na manga (Quitely), este saboroso conto nas terras de William Wallace, entre outras coisas, tem uma peculiar sinergia cômica entre Bruce e Alfred Pennyworth (só vista novamente, mais lá para frente com Grant Morrison no item 19).
(b) Detective Comics #442 – não se recorda de Alex Toth? Você não pode estar falando sério, está? Que grande nerd você é, hã?
(c) Secret Origins #39 – foi também adaptada no episódio On Leather Wings (Asas de Couro) na 1ª temporada de Batman: The Animated Series (com o diferencial de ter sido ilustrada por Kevin Nowlan).
(10) Colaboradores >>>
Particularmente, prefiro um Batman independente, instintivo e capaz de gerenciar qualquer tipo de situação, mas como não tenho um “mundinho” só para mim, pensemos neles como “coadjuvantes de luxo”.(a) Robin: Dia Um (The Gauntlet) de Bruce Canwell & Lee Weeks – um complicado jogo de gato-e-rato para testar as habilidades de seu participante. Essa foi a prova final imposta muitos anos atrás por Batman a Dick Grayson.
Das ruas principais de Gotham, passando pelo coração da cidade até as docas, Grayson tem a difícil missão de ludibriar e se esconder de Bruce por doze horas, do pôr-do-sol até o amanhecer.
Momentos antes do início do teste, porém, o desavisado aspirante a combatente do crime salva um homem de um ataque brutal sem saber que ele está envolvido com o violento submundo da cidade. Agora o rapaz será perseguido não somente por seu mestre e tutor, mas também pelos mafiosos que querem silenciá-lo.
Resta saber se o Homem-Morcego será capaz de encontrar o seu discípulo a tempo ou se o Menino-Prodígio terá que contar apenas com as próprias habilidades para se livrar dos perseguidores e ainda completar o teste (publicado em 'Batman #32' – 5ª série –, formatinho pela Editora Abril).
(b) Robin: Ano Um – já comentada no item 07-b.
(c) Batgirl: Ano Um – dos mesmos realizadores da minissérie supra, Chuck Dixon & Scott Beatty (com o Marcos Martin substituindo Javier Pulido), esta é tão divertida quanto a primeira. E aqui para nós? Fala baixo, é nível “Jessica Jones”.
Mais alguma coisa precisa ser dita? Sim, precisa. Você a encontra em ‘Batman #12-20’ (da Panini).
(d) Morte em Família – põe fim a curta carreira de Jason Todd, o segundo garoto a trajar as vestes do Robin.
De forma magistral, Jim Starlin & Jim Aparo disponibilizaram um “pé-de-cabra” para um providencial esmagamento de crânio e potentes explosivos para tornar inconteste* a morte mais violenta da história dos quadrinhos.
Recomendo a busca em sebos da edição O Melhor de Batman #01 (da Editora Abril) que compila o Ano Dois (ver item 03) e Morte em Família em um total de 228 páginas. O preço na época era pra lá de camarada: R$ 4,20. Com um pouco de sorte, é possível encontrá-lo ainda no mercado pelo mesmo valor.
* Aparentemente Judd Winick não concorda muito com isso...
(e) A Espada de Azrael – revela a sina hereditária dos executores (anjos vingadores) de uma sociedade secreta chamada Ordem de São Dumas – cuja semelhança com os Templários não é lá mera coincidência – do ponto de vista de seu mais recente hospedeiro, Jean-Paul Valley.O ponto alto da minissérie (em duas edições) de Dennis O’Neil, Joe Quesada & Kevin Nowlan certamente é o “bom humor” de Bruce sob o cárcere de Carleton LeHah (ex-tesoureiro da seita).
(f) Mulher-Gato: Um Crime Perfeito – respeito demais um cara que não teme perder o emprego convidando o chefe para resolver diferenças artísticas “fora de um bar”, melhor, tem a audácia de chamar para a si a responsabilidade de reviver o mito de ‘The Spirit’ sem, no entanto reverenciar seu mestre, Will Eisner.Comparado com o próprio Will e a lenda viva chamada Joe Kubert, Darwyn Cooke, segundo relatos de quem já teve a oportunidade de trabalhar com ele, é capaz de escrever, desenhar, fazer os esboços, letreirar e colorir se quiser, e ainda editar.
Outrossim, nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar que a “missão suicida” ao qual me alistei teria algum resultado, quanto mais ser presenteado com uma edição impecável como esta*.
* É bem verdade que o preço (R$ 49,00) a priori salta aos olhos, mas é só o tempo de retirar o “plástico” do livro para perceber o quão válido foi o investimento.
São três histórias.
A primeira, Selina’s Big Score, escrita e ilustrada por Cooke, tem início no Marrocos com uma Selina Kyle praticamente na bancarrota, motivada o bastante para regressar a Gotham, reaver suas últimas reservas e planejar um golpe que a tire de vez do vermelho.
Aliás, a soma em dinheiro (24 milhões de dólares) e a dificuldade é tanta que seria impossível dar conta de toda a ação sozinha e é aí que entra o antigo mentor, o engenheiro e todos aqueles coadjuvantes maravilhosos de um bom filme de assalto.
Em Slam Bradley na trilha da Mulher-Gato, escrita por Ed Brubaker e ilustrada por Darwyn Cooke, um detetive particular de meia-idade é contratado pelo prefeito de Gotham para descobrir a verdade sobre a morte de Selina (durante o longínquo terremoto).
Ambientado numa atmosfera propositalmente noir, o conto secundário é um complemento da primeira trama, reapresentando o clássico personagem criado por Jerry Siegel & Joe Shuster em Detective Comics #01 em março de 1937.
Até aí, já se foram 126 páginas e você sequer lembra-se de outra aparição que não no seminal Ano Um (ver item 03) como a prostituta enfezada lidando com um peculiar intruso na Zona Leste de Gotham (ver 01-02-03-04).Estamos agora nas quatro primeiras edições que relançam a série contínua da Mulher-Gato, também sob a consistente escrita de Brubaker e a primorosa arte de Cooke.
Nesse primeiro arco, Sem Dor, Selina se dá conta que o antigo lar (na Zona Leste) é ainda hoje uma região* tão problemática e repleta de tipos egressos da sociedade que, mesmo sem se dar conta, Batman a evita.
É lá que Selina se redescobre, onde pretende fincar suas garras, virar a página, mover fundos e mundos para proteger os esquecidos. E adivinha só, foi Holly – aquela garotinha que se ofereceu para Bruce na primeira incursão naquela área – o motivo de toda essa epifania.
Só espero que a Panini dê continuidade à iniciativa e nos prestigiem com o restante dessa fase, mais precisamente até a edição #33 (de #37, porém estas últimas foram publicadas no arco Jogos de Guerra entre Batman #32-38 da Panini).
E não sou o único que se desmancha em elogios, veja o que Brian M. Bendis disse na #17.
* Equivalente de Gotham à Basin City no que tange ao distrito conhecido como a “Cidade Velha”. Quanto a Selina, bem, ela nada mais é que uma versão light da “Gail”.
(11) O Bravo e o Audaz >>>
Geralmente são perda de tempo e tendem a se repetir narrativamente. Não estaria aqui falando sobre eles caso não tivesse em mente algumas exceções*. São eles:(a) Planetary/Batman: Noite na Terra de Warren Ellis & John Cassaday – uma homenagem as mais célebres concepções do morcego ao longo de sua história, bem como o uso mais inteligente, de que se tem notícias, das "Múltiplas Terras" (padrão na própria série regular do Planetary);
(b) Justiceiro/Batman: Cavaleiros Mortíferos de Chuck Dixon e John Romita Jr. – tem o biótipo do gênero**, mas dono de um desfecho digno de homilia;
(c) Batman/Hellboy/Starman: Nazistas das Trevas de James Robinson & Mike Mignola – em todos os aspectos é uma típica história do Hellboy com direito a ameaças arcanas da 2ª Guerra Mundial e coadjuvantes como Bruce Wayne e Jack Knight;
(d) Batman/Tarzan: Garras de Mulher-Gato de Ron Marz & Igor Kordey – há um diálogo aqui que nunca esqueci (iniciado pela cria máxima de Edgar Rice Burroughs), veja:
JOHN CLAYTON: "Por que um milionário se veste com um uniforme e vive no topo dos prédios?“
BRUCE WAYNE: "Por que um nobre vive no topo das árvores da África? Ambos protegemos nossas selvas, Greystoke."
(e) Batman/Juiz Dredd: Vingança em Gotham de Alan Grant, John Wagner e Cam Kennedy – dissequei esse mesmo encontro (e outros dessa dupla) em outra ocasião, portanto confira.
(f) Mulher-Maravilha/Batman: Hiketeia de Greg Ruck e J. G. Jones – trata-se de um antigo ritual grego que vincula um suplicante a seu mestre em uma relação de respeito e proteção.
A princesa Diana de Themyscira, conhecida no mundo inteiro como a Mulher-Maravilha, é procurada por Danielle Wallys, uma jovem com um trágico passado em busca de asilo. Comprometida pelo voto de Hiketeia, Diana precisa proteger sua suplicante a todo custo, sob pena de trazer para si a fúria dos deuses.
Enquanto isso, em Gotham City, Batman também está comprometido com uma missão: a de entregar Danielle à justiça por crimes cometidos.
* Tenho conhecimento de outro que promete muito, porém, como não li ainda, não tenho como emitir meu selo de qualidade: Batman/The Spirit de Jeph Loeb & Darwyn Cooke.
** Heróis brigam entre si por território, mas posteriormente chegam a um consenso para combater seus arqui-rivais em comum.
(12) Por Sua Conta e Risco >>>
(a) O Messias – para muitos, um “clássico” que merece ocupar espaço na mesma estante de Cavaleiro das Trevas, Watchmen e outros; para poucos (presente!), um erro escusável de Jim Starlin (e Bernie Wrightson).Por quê? Ora, duvido que consigas ler sem bocejar as numerosas páginas que mostram a mídia manifestando-se sobre os fatos e um memorável veículo, muito além de suas proporções usuais, destruindo tudo a sua volta (ver 01-02)...
Hã? Mas essa é outra história, não? Bem, foi o que eu disse.
Nesse mesmo hype ficou para trás a emblemática As Dez Noites da Besta (cuja arte está a cargo de Jim Aparo). De teor datado e arrastado (cem páginas de quadrinhos e quinze de argumento), fica ridícula a cada ano a medonha idéia de contrapor a Guerra Fria destilando-a com uma mistura tosca de União Soviética, Projeto Guerra nas Estrelas e Gotham City.Como contraponto fica guardado nas recordações as belíssimas quatro artes de capa de Mike Zeck para este arco, bem como a memorável seqüência em que Anatoli Knyazev, o "KGBesta", decepa a própria mão para soltar o cabo de aço que impede Batman de cair em queda livre.
Publicada originalmente entre 'Batman #417-420', minha versão é a compilação da própria em um encadernado de março de 1989 (pela Editora Abril).
(b) Coringa: Advogado do Diabo – difícil de crer, mas o regular Chuck Dixon já fez gol contra no time de Gotham. Foi nessa detestável edição especial (repleta de crateras conceituais), onde um pouco crível Batman tenta provar, com muita obstinação, a inocência do Coringa em um crime que não cometeu. Pior, o livra do corredor da morte.
Antes fosse o Tim Drake (Robin 3) a desempenhar esse papel...
(c) A Queda do Morcego, Filho Pródigo, Contágio, Terremoto, Terra de Ninguém, Bruce Wayne: Assassino & O Fugitivo, Silêncio, Cidade do Crime – a época de seus lançamentos, imperdíveis (?). Hoje, nem tanto.
Na verdade, saiba que podes viver muito bem sem elas ou qualquer lasca de conhecimento mínimo sobre os respectivos conteúdos. Foram sagas extensas e pretensamente “revolucionárias” que pouco mudaram o status quo das coisas.
Se mesmo assim quiseres ler alguma para tirar a prova dos nove, tente ‘Terremoto’ e ‘Terra de Ninguém*’ (nessa ordem). Gostando, podes seguir caminho lendo a “nova fase**” (por sinal, ótima) instituída na época por Greg Rucka, Ed Brubaker e Devin Grayson.* Julgo seu ápice quando um peculiar diálogo (por Greg Rucka & Rick Burchett) é travado entre Batman e Jim Gordon, com este primeiro tentando reaver sua antiga parceria com o comissário (comprometida no início do arco) tentando revelar-lhe seu maior segredo (ver 01-02).
O respectivo complementa-se intermediariamente a ‘Ano Um’ e ‘Cavaleiro das Trevas’ de Frank Miller quando, em pelo menos duas passagens (ver 01-02), tornou-se notória a possibilidade de Jim (ainda naquela época) ter ganhado ciência da identidade secreta do Batman, por sua vez confirmada no futuro.
** Cujo auge se dá entre Batman Premium #10-23 e, continua, em Batman #01-05 (da Panini).
(d) All-Star Batman & Robin – desisto completamente de sua formação se achares que essa leitura é digna de nota em meu guia. Fique apenas com o Frank Miller do item 03 e 18-a, isto, pois, esse que está aí hoje é um mero “replicante” (o "original" está desaparecido desde 300 de Esparta em 1999).
(13) Aprecie com Moderação >>>
(a) O Filho do Demônio – verdade seja dita, hoje, o único diferencial dessa Graphic Novel (de Mike W. Barr & Jerry Bingham) reside no fato que, de uma hora para a outra, tornou-se relevante quando Grant Morrison decidiu a re-inserir na cronologia oficial.De todo modo, vale como história de origem para Damien (ver item 18).
(b) O Longo Dia das Bruxas – dispensa comentários, apenas um bom conselho para lhe dar: administre qualquer título de Jeph Loeb que tenha em mãos com muito cuidado.
Caso sejas mesmo um iniciante, saiba que ele é o tipo de autor que “se leu uma, leu todas”. Compreende? Então o que deves fazer? Procures ler apenas uma história de cada personagem, assim, tenderás a não decepcionar-se tanto com seus trabalhos.
Portanto, busques nessa minissérie em oito edições seu “único” trabalho com Batman e viva feliz para sempre.
(c) Preto & Branco* (Vol.1) – uma fantástica antologia (em quatro edições, publicada pela Editora Abril) de pequenos contos em P&B que traz consigo, entre outros, nomes como Howard Chaykin, Joe Kubert, Neil Gaiman, Richard Corben, Kent Williams, Simon Bisley, Matt Wagner, Brian Bolland, Kevin Nowlan e Katsuhiro Otomo.
* Seu recente segundo volume (publicado em DC Especial #04 pela Panini) não é tão bom quanto o primeiro, mas encontra parte de seu brilho nas pessoas de Alex Ross, Tim Sale, Gene Ha, Warren Ellis, Paul Pope, Brian Azzarello e Eduardo Risso.
(d) Cidade Castigada – diferente do ocorrido nas páginas do título mensal do Clark (da Panini), no arco Pelo Amanhã, Brian Azzarello (auxiliado por Eduardo Risso na arte) tem total controle da situação em Batman, consagrando em seis maravilhosas edições (publicadas em 'Batman #22-23 da Panini) todos aqueles atributos que acho essencial em um Homem-Morcego perfeito (ver item 10).
Seu enredo gira em torno do assassinato de uma garota chamada Elisabeth Lupo.
Acreditando ter sido Waylon "Crocodilo" Jones o assassino, Batman dá início a uma série de interrogatórios que o faz deduzir que seria o próprio irmão da vítima, Angel Lupo, o autor do homicídio. Porém, quando a investigação parece estar tomando um rumo certo, novos indícios surgem quando contata outros suspeitos (Pingüim, Ventríloquo e um enigmático Coringa – interno no Asilo Arkham).
(14) Túnel do Tempo >>>
Cansado de abordagens convencionais? Pois bem, “vôos atípicos” não faltam no Universo DC e servem para “apimentar” um pouco a relação do leitor com seu personagem favorito. Alguns passíveis de regozijos, outros de escárnio.Vejamos alguns exemplos do primeiro caso:
(a) Gotham City 1889 de Brian Augustyn & Mike Mignola – o reposicionamento daqui assim como ‘Do Inferno’ de Alan Moore, lança mão de várias teorias sobre a identidade de "Jack, o Estripador" (lógico que num grau bem inferior ao do mago de Northhampton), inclusive acusando um ilustre milionário local (ver 01-02-03).
(b) SJA: Dossiê Liberdade de Dan Jolley & Tony Harris – não é propriamente uma minissérie que se foca exclusivamente no Batman, mas tem nele a válvula mestra para o desenvolvimento de toda a trama (já falamos sobre a mesma aqui, confira).
(c) Entre a Foice e o Martelo de Mark Millar & Kilian Plunkett – também se aplica o argumento supra. Sua participação é mínima, mas crucial na 2ª edição, quando encarna o papel de um revolucionário bolchevique e numa manobra ousada quase aprisiona permanentemente o Super-Homem em um bunker irradiado por feixes de sol vermelho.
(15) Atividades Extracurriculares >>>
Em contrapartida ao que disse no item 10, ter o Batman como integrante de algum conglomerado de super-heróis sempre rende ótimas situações. Particularmente gosto de quatro grandes encontros:(a) Odisséia Cósmica de Jim Starlin & Mike Mignola – é possível descrever esta mítica minissérie com quatro frases (retiradas de cada um dos quatro tomos):
a.1 – "Pai Celestial! Por que este absurdo de nos requisitar como Embaixadores? Batman como Diplomata? Francamente!".
a.2 – "Quando se é filho de Darkseid, Governante de Apokolips, gentileza é apenas um conceito intelectual".
a.3 – "Confiar em você seria tolice. Eu até diria idiotice. O sentido místico que é meu afirma que você é mais montros que eu".
a.4 – "Vá à merda, Ajax".
(b) LJA: Nova Ordem Mundial de Grant Morrison & Howard Porter – ficou marcada para a posteridade a investida solitária de Bruce frente ao Hyperclan (os marcianos brancos), que o dava como morto e, o melhor de tudo, subestimava por julgá-lo “um simples humano”.
Publicado em Os Melhores do Mundo #09-12 (formatinho) pela Editora Abril.
(c) Terra 2 de Grant Morrison & Frank Quitely – primeira (e visceral) aparição “pós-crise” do Sindicato do Crime desde o desaparecimento em Crise nas Infinitas Terras (publicado em Superman Premium #01 pela Editora Abril).
(d) DC: A Nova Fronteira de Darwyn Cooke – duas vezes sabatinada no blog (ver 01-02).
(16) Gotham City Contra o Crime >>>
Gotham City Contra o Crime (Gotham Central) – de cinco anos para cá, sem sombra de dúvida, é o título mais coroado de louros do micro-universo de Batman.Tratados a pão-de-ló por Ed Brubaker, Greg Rucka & Michael Lark (na arte), os investigadores da UCH (Unidade de Crimes Hediondos) do Departamento de Polícia de Gotham City nos presenteiam com ânimos exaltados (oriundos da interferência* crassa de Batman em seus casos), rixas pessoais (entre os turnos da manhã e noturno), ciência forense e um clima milimetricamente “noir”.
Há anos-luz de distância de nossa primeira incursão no DPGC em Ano Um (ver item 03), com um contingente selecionado a dedo pelo Comissário Michael Akins (sucessor de Gordon no cargo), os detetives daqui são a elite, imunes a subornos e verdadeiras máquinas de trabalho (movidas à cafeína... muita cafeína).
Foi recentemente encerrado após impecáveis seis volumes (encadernados), todos devidamente publicados em DC Especial #05, 08, 11, 13, 14 e 16 (da Panini).
* O racha entre os respectivos oficiais se dá em Jogos de Guerra (uma exceção ao item 12-c), publicado em Batman #32-39 (da Panini). Quer saber mais? Sem problemas, já a dissequei anteriormente, leia.
(17) One-Shot >>>
Duvido que existam quadrinhos mais prazerosos do que aqueles que se resolvem em vinte e duas páginas (hoje em falta). Sem protelar, sendo sucinto sem ser medíocre.Eis, então, alguns que validam minhas palavras:
(a) Batman #577: Mike e Allie por Larry Hama & Scott McDaniel – o que aconteceria se alguns bandidos resolvessem assaltar e invadir a Mansão Wayne pelo velho sistema de drenagem de Gotham?
Segundo me consta, logo ali, embaixo, existe um conjunto de cavernas subterrâneas ainda mais antigas que aqueles dutos, correto? E corrijam-me se estiver errado, reside ali um "homem" que costuma fantasiar-se de "morcego", hã? Opa! O que foi aquilo? Era um "crocodilo"? Uma "garotinha"?
(b) Batman #584: Projeto Noite Escura* por Ed Brubaker & Scott McDaniel – você sempre quis saber como o Bruce consegue instilar tanto medo nos criminosos? Melhor, não entendes o posicionamento das autoridades sobre o próprio? Seria ele apenas uma lenda urbana? E o sinal de luz em forma de morcego, para que serve?
Essa e outras respostas... Detesto clichês, não vou finalizar essa frase.
* Vale frisar que esta história, ao contrário das citadas no item 09, foi concebida no desenho animado (no cultuado episódio Legends of the Dark Knight da 4ª temporada) e a posteriori traduzida para os quadrinhos.
(c) Batman Gotham Knights #32: 24 Horas por Devin Grayson & Roger Robinson – acompanhe de perto o cotidiano de Bruce Wayne, desde as primeiras horas do dia até as últimas.
Nada foge ao seu controle. Há de tudo, desde barganhas com acionistas (tendo em mente obras filantrópicas) até assistência a ex-presidiários; de concessão de bolsas integrais a office boys até um check-in sistemático das atividades de seus "assistentes noturnos"...
(d) Batman: Ego por Darwyn Cooke – após uma investida do Coringa que resultou na morte de 27 pessoas e no suicídio de seu delator, sangrando muito e morbidamente introspectivo, Bruce passa a questionar o rumo ao qual a guerra ao crime lhe conduziu.É aí que surge algo completamente inesperado, surreal e não por isso menos revelador. Talvez devaneios ocasionados por mais um ataque de Jonathan Crane? Quem sabe não seria a hemorragia que até então estava ignorando, falando mais alto? Nenhuma das alternativas anteriores, ele estava diante do próprio coração, de uma entidade que se dizia presente em sua juventude, latente no interior, sem rosto, nem nome, mas que o podia ouvir e sentir.
Levado a uma profunda reflexão sobre suas escolhas e as conseqüências advindas delas, nada é poupado, desde a resolução de velhas perguntas retóricas até a – nas palavras da criatura – “deplorável necessidade de companhia” (ver 01-02).
(18) Gotham no pós-Crise Infinita >>>
Anteriormente debatido na casa (ver 01-02).
(19) Amanhã Sombrio >>>
Uma hora você se dá conta que o tempo passou e o Bruce parece estar travando as mesmas batalhas, pior, não envelheceu um ano sequer. Pois bem, aconchegue-se na poltrona, está na hora de passarmos para o derradeiro estágio: o futuro.(a) Cavaleiro das Trevas de Frank Miller – quebre o braço de quem disser que esse não é o "amanhã oficial" do Batman, mas sim um reles ‘Elseworld’. Se o indivíduo insistir no “erro”, faça o mesmo com o outro (braço).
Não sinta remorso ao vê-lo contorcendo-se de dor, é um preço pequeno a se pagar. Na verdade inconscientemente estarás fazendo um favor e quando menos esperar, estará ele aí, na sua porta, perguntando-lhe sobre os pré-requisitos para filiar-se aos Filhos do Batman.
Seja como o Cypher em Matrix, viva na ignorância. E faça como eu, ignore Judd Winick (ver item 10-d) ou qualquer outro empecilho a esse futuro.
(b) Reino do Amanhã de Mark Waid & Alex Ross – mentalize o seguinte: o que Bruce planejara ao fim de ‘Cavaleiro das Trevas’ não deu certo. Assim, nasceu a alternativa do patrulhamento com robôs.
Detalhe, ninguém aqui falou em Cavaleiro das Trevas 2. Portanto, para todos os fins legais, esta "catastrófica continuação” nunca existiu.
(c) Batman Ano 100 de Paul Pope – a simples idéia de sincronizar o surgimento do Batman a partir do ano de sua criação (1939) por Bob Kane até o ano de 2039 (portanto, um século mais tarde – dã!) mudou minha vida. Aliás, a concepção de tudo nessa minissérie (em duas edições pela Panini) é constrangedoramente fabulosa. Desde a Gotham City dos guetos até a bizarra “dentadura” desta encarnação do Homem-Morcego.E que fique bem claro, até onde minha mente permite (por enquanto), esse é o capítulo final* da saga de Bruce Wayne.
* Atente-se para a seqüência supra: a menção em vídeo do combate entre Bruce e o Líder Mutante ao fim do livro dois de ‘Cavaleiro das Trevas’.
(20) Moral da História >>>
Certa feita, Neil Gaiman disse que o mais legal sobre Batman é que ele está aí há 60 anos. Nesse tempo, existem cem mil, duzentas mil, trezentas mil histórias ruins com ele, e apenas cem, duzentas ou trezentas boas.
Talvez nem isso, mas como se trata de uma afirmação de cunho estritamente pessoal, certo é que se o Cavaleiro das Trevas, há décadas atrás, não tivesse alçado ao status de ícone pop, provavelmente teríamos materiais mais filtrados e não retrógrados *.
* A maior contraprova dessa prejudicial notoriedade tem nome, e encontra-se sob o comando da concorrência: Matthew Michael Murdock.
Com apenas uma revista mensal, edições especiais produzidas a toque de caixa e um storytelling sempre a frente de seu tempo, o mais ilustre morador da Cozinha do Inferno é um bom exemplo de que “menos é melhor”.
Por fim, aí estava nosso enigmático objetivo por trás da feitura desse guia: orientar o não-iniciado no universo de Gotham City a compreendê-lo melhor, poupando tempo e, de certa forma, muito dinheiro, auxiliando-o na lapidação de um senso crítico e conjunto de obra.
Pretensão demais? Sinta-se a vontade para discordar nos comentários (a sua disposição vinte e quatro horas por dia).
Escrito por LUWIG
luwigx@hotmail.com
























2 Comments:
Cara, um guia explicativo das fases da Liga da Justiça, nesses moldes, comentando e indicando histórias seria o máximo!!
Todos os gibis citados no artigo pra baixar aqui:
-> http://www.volcano.net46.net/viewtopic.php?f=1&t=32
ou www.volca.da.ru ou www.quadrin.tk .
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