Tuesday, May 22, 2007

The Wake-up Bomb

Conjugar drama e ficção de forma plausível, una e ainda assim arrebatadora se é desde sempre algo raro nos quadrinhos, o que dizer em módulo celulóide, live-action, ou quem sabe, em doses homeopáticas como em ‘Heroes?

Programa sensação – para muitos uma unanimidade irrepreensível –, durante vinte e três capítulos esta série emplacou uma coletânea venerável com os mais incríveis arranjos da mitologia super-heróica inclusa na nona arte. Desde arquétipos consagrados (mimetismo, telepatia, fator de cura, intangibilidade, transmorfismo, etc.) à panoramas apocalípticos (Dias de um Futuro Esquecido?); de cultuados padrões narrativos (Will Eisner) à vis subterfúgios anticlimáticos.

Sim, você não entendeu errado, eu disse “vis subterfúgios”.

Portanto, caso não queira saber minha desprezível opinião sobre ‘How to stop an exploding man(episódio final do primeiro ano da respectiva série) e, por conseguinte, certos momentos cruciais de sua história... É de bom alvitre me ignorar a partir desse ponto.

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Ainda está aí, amigo?

Vejamos, lembra-se de ter sido recentemente vítima de algum crime hediondo praticado por Jeph Loeb (co-produtor executivo de Heroes)? Sentiu-se lesado após passar horas a fio lendo algo de sua autoria e de repente fora coibido a engolir em seco um vexatório derradeiro capítulo?

Bem, respire aliviado, o end season em análise não chegou a tanto, mas esbarrou em um inimigo maior que Sylar e a explosão que supostamente daria fim a vida de milhares de nova-iorquinos: as notórias restrições orçamentárias.

O que era inevitável e se alinhou desde os primeiros minutos de ‘Genesis’, foi erroneamente levado a cabo em menos de cinco minutos e, diga-se de passagem, com teor elevado de clichês. Falo do frustrante embate entre Peter Petrelli e a coalizão formada pelos outros personagens contra Sylar, paupérrimo em efeitos visuais e de saída fácil*.

Os trinta e cinco minutos anteriores ocuparam-se em reprisar (ou procrastinar) eventualidades menores como o resgate de Micah e Molly; Claire mais uma vez em fuga; e os insólitos devaneios de Peter que o alocam na ocasião exata em que é contratado por Charles (que também está apropriadamente acomodado em uma cadeira de rodas), aquele paciente moribundo do princípio.

Ademais, o potencial destrutivo de Sylar foi imensamente subestimado fazendo uso tão só da telecinesia, quando poderia ter criado conjecturas de caos dignas de 'Miracleman' (de Alan Moore) utilizando a manipulação molecular de Zane Taylor (assimilada pelo vilão no episódio #15).

Em contrapartida, fico feliz pelo mesmo ter sobrevivido ao fim da pendenga (fugindo pelo bueirogenial, hã?) e mandado Parkman para o saco**.

* Quando Nathan Petrelli intervém em ritmo de sacrifício e sobe aos céus com Peter prestes a atingir massa crítica.

** Após ser alvejado pelos quatro disparos que deflagrou em Sylar, mas é claro, se Tim Kring não utilizar no futuro o artifício do colete à prova de balas.



E se encarei a sensação de coito interrompido com um singelo sorriso amarelo, não posso dizer o mesmo dos três minutos iniciais do segundo ano (quer dizer, volume).

O título do texto? Vai dizer que nunca ouviu 'The Wake-up Bomb' do R.E.M?

Cursed

Por traz de cada ação, traga ela alegria ou sofrimento ao nosso ego, existe uma lição para ser aprendida.

Robert Cochran, Joel Surnow, Howard Gordon e Jon Cassar* de alguma forma devem ter aprendido que só existem cinco coisas no nosso planeta que jamais um ser humano com o perfeito equilíbrio de suas faculdades mentais jamais deixará de lado: (1) a família; (2) cerveja (ou o boteco inteiro); (3) os amigos (de verdade, não os de mesa de bar); (4) tira-gostos (fava e um picadinho pegando fogo, preferencialmente); (5) e, claro, a mulher da sua vida.

Repetir exaustivamente uma fórmula durante seis anos e esperar fidelidade incondicional do público beira a arrogância ou até ausência congênita de inteligência.

Em tese o clímax dessa temporada de ‘24 Horas’ não foi de todo mal, na verdade alcançou um discreto êxito quando propagou tensão e incerteza quanto ao futuro de Jack Bauer. Em verdade, nada de novo, apenas uma repetição do que houve no desenlace do quarto ano (quando o agente federal partiu para o anonimato, temendo pela vida das pessoas próximas a ele).

Enfim, o ‘circuito’ que continha toda a tecnologia defensiva russa sob a posse de Phillip Bauer (trabalhando para os chineses) foi completamente destruído após o ataque aéreo à plataforma petrolífera e Jack, auxiliado por Bill Buchanan, conseguiu resgatar o sobrinho (Josh Bauer) escapando por um triz.

Retornando, decide não regressar a CTU, dirigindo-se em seguida para a residência de James Heller para buscar Audrey. Uma vez lá, devolve todas as insinuações que o secretário mais cedo lhe fizera**, porém acaba percebendo que o melhor para a amada é manter-se distante.

Interessante notar a semelhança entre Jack Bauer e John Constantine*** no que atine a relações interpessoais. Como assim? Simples, ambos não têm sorte em manter amigos e familiares por muito tempo vivos (ou pelo menos por perto), aliás, tudo leva a crer que é uma espécie de sina.

* Realizadores (produção executiva e direção).

** Culpando-o do atual estado da filha (imersa em um profundo choque pós-traumático devido à “acolhedora” hospitalidade chinesa) e exigindo que permaneça distante da mesma.

*** Falando nele, que maravilha de edição essa #120 de Hellblazer (publicada na Pixel Magazine #02) em que ele comemora os dez anos do título lhe convidando (isso mesmo, você!) para dar uma volta pela Londres que ninguém que se auto-afirma “normal” conhece.

No final, saberás como ninguém o que representa ser um chegado do bom e velho John – e de brinde, uns tragos com o criador (ele próprio, o eremita de Northampton).

E olha só, ‘Procurando alguma coisa desesperadamente’ é cria de Paul Jenkins...

Quem diria, hã? Cheguei a pensar que sua criatividade só havia dado as caras em ‘Origem’ e ‘Inumanos
.

Posto isto, sabe-se que a audiência mergulhou, as críticas foram amplamente desfavoráveis e existiu sério risco de cancelamento.

Segundo notícia recente do site Omelete, para mudar esse status quo, especula-se nos bastidores que a sétima temporada (a ser exibida ininterruptamente entre janeiro e maio de 2008) mostrará uma "recriação da série". Há rumores de que o cenário irá mudar, Jack Bauer estará fora de Los Angeles e que a história poderá ser contada em duas locações diferentes. Do mesmo modo, fala-se também que certos atores provavelmente retornarão, no entanto em papéis diferentes.

Mais detalhes sobre o “6º dia”, ver ‘Uma Vida em Conserva’ e ‘Phase One: Accomplished.

Road to Redemption

Tenho a convicção de que se confrontado (sem intervalos) o conteúdo da primeira metade dessa (3ª) temporada de ‘Lost’ com o que se sucedeu desde o episódio #11 (Enter 77), 15 (Left Behind), 19 (The Brig) e 20 (The Man Behind the Curtain), é garantia de “choque anafilático(tamanha é a desproporção dos dois quinhões).

Também é justo dizer que não obtive nem 1/3 das respostas* aguardadas com a tão anunciada “seqüência de bombas”, mas confesso que no todo me satisfiz com o rastro de migalhas, principalmente com o cataclismo do episódio #22-23 (Through the Looking Glass)afinal, o primeiro “flashforward” a gente nunca esquece.

Seis Graus de Separação: (1) vibrei quando Jack esteve prestes a dar cabo de Benconfere; (2) deixei no ar uivos equivalentes aos de hienas com a metáfora do “estouro da manada(leia-se Hurley atropelando um “Outro” com a Kombi)confere; (3) surtei quando Sawyer impiedosamente executou Tom e disparou “isso é por ter seqüestrado o menino da balsa” – confere; (4) tive os olhos repentinamente banhados em lágrimas com o último riff de Charlieconfere; (5) fiquei tentado a acreditar (ou acreditei?) nos alertas de Ben que punham em xeque a idoneidade do grupo que resgataria os sobreviventes do vôo 815confere; (6) estarrecido com o sombrio vislumbre do futuro, ou melhor, o porvir do Dr. Shephard (fora da ilha) confere.

Enquanto esperamos pelo longínquo ‘janeiro de 2008(première do 4º ano), uma boa opção é acompanhar o ‘Dude! We are lost!’, um ótimo blog que destila (e destrincha) todo tipo de informação sobre o universo da série – inclusive seqüencias como a da mortuária em que a placa-letreiro é um anagrama de “flashforward.

* Esperava pelo menos uma breve réplica sobre os números malditos.

"The Doll's House"

Sob pena de me repetir, um dos grandes diferenciais de CSI é a facilidade que seu formato tem de atrair e solidificar sua audiência: tramas redondinhas que muito raramente estendem-se por mais de quatro capítulos.

Pois bem, a 7ª temporada fugiu a regra quando insistiu na persecução do “assassino das miniaturas” ora investindo em psicologia reversa (humor negro em estado bruto, vide ‘Ending Happy’, episódio #21), ora aprimorando o verbete criado especialmente para Ted Bundy.

O ponto de ebulição no episódio #24 (Living Doll) não deixa barato e conclui o arco de histórias esmiuçando o perfil doentio de ‘Natalie Davis’, as minúcias de suas técnicas, o porquê do gatilho psíquico (alvejantes) e a acareação com Gil Grissom, cujo seguimento revela um ardil impecável – em aberto, via cliffhanger: será que Sara Sidle sobrevive?

Entressafra

Qual é agora o sentido da existência sem 24 Horas, Battlestar Galactica, CSI, Heroes, Lost e Prison Break?

Resposta: aguardar o término da 3ª temporada de House, o início da de ‘The 4400’ (17 de junho) e se segurar para não assistir a de ‘Dexter’ em apenas um dia.

Escrito por LUWIG
 

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