Há cinco dias fui um dos cinco indicados pelo Doggma do BZ para dar continuidade a uma espécie de “corrente” pra lá de bacana: apontar cinco películas subestimadas por crítica/público com o “foda-se” ligado no máximo.
Antes de ir direto ao pote, conste em ata que partilharei esse saboroso "abacaxi" com os amigos Kelnner do Smells like Shit, Marcelo do Dizforme, Marlo do Catapop, Renmero do Bunker e o Ricardo Malta do Videodrome.
Posto isso, eis os meus:
Mutação (Mimic, 1997)
O diretor mexicano Guillermo del Toro já havia dado sinais que estava às vias de se tornar um exímio contador de histórias em seu primeiro filme, 'Cronos', inclusive com os maneirismos que hoje o tornaram conhecido.
Em ‘Mutação’, primeiro vôo em paragens norte-americanas, estão lá os vermes asquerosos, a carga de terror em crescendo (na proporção inversa à sua manifestação) e o imponente “B” maiúsculo do gênero.
O Enredo >>>
Uma epidemia disseminada a partir de baratas põe termo à vida de mil crianças em Nova York, dizimando a população infantil de Manhattan. A doença só é erradicada quando uma entomologista (Mira Sorvino) desenvolve uma mutação em baratas, programando-as geneticamente para eliminar as que propagam o vírus.
Chamada de “Geração Judas”, a colônia deveria se auto-extinguir em seis meses. “Deveria”.
Três anos mais tarde, Susan (a cientista em questão) constata que os insetos modificados, que deveriam durar apenas uma geração, continuam vivos, se reproduzindo e evoluindo ao ponto de alcançarem estatura humana. O súbito desaparecimento da mendicância local dá pistas que os artrópodes vitaminados tornaram-se basicamente carnívoros e estão prestes a deixar os subterrâneos da metrópole.
Confesso que o que está por vir é deveras previsível, mas nem por isso menos revigorante, grotesco e claustrofóbico*, ou seja, Susan e um grupo de incautos coadjuvantes descem os esgotos para colher dados e buscar uma solução antes que a invasão de fato ocorra.
* Frise-se a atmosfera de tensão criada nos momentos que antecederam o ataque ao vagão abandonado.
O Enigma do Horizonte (Event Horizon, 1997)
Longe de mim refutar todas as limitações históricas de Paul W. S. Anderson como diretor, pelo contrário, ele é ruim que dói* e praticamente nada em sua biografia se salva. Exceto, é claro, ‘O Enigma do Horizonte’ (ou pelo menos os instantes finais).
* Na minha ótica, ele é para o cinema o que Chuck Austen é para os quadrinhos.
O enredo >>>
Logo de partida recebemos alguns informes para nos situarmos:
2015 – primeira colônia permanente estabelecida na Lua;
2032 – tem início a mineração comercial em Marte;
2040 – nave espacial de pesquisas ‘Event Horizon’ é lançada para explorar as fronteiras do sistema solar, desaparecendo além do oitavo planeta, Netuno;
2047 – foi detectada uma transmissão na órbita em volta de Netuno, a fonte: ‘Event Horizon’.
O que veio ao público foi que o reator atingiu um ponto crítico e explodiu. Segundo o engenheiro-chefe e físico criador da espaçonave, Dr. Weir (Sam Neill), “pura balela”. O ‘Event Horizon’ foi o ponto alto de um projeto secreto para criar uma nave capaz de viajar mais rápido que a luz.
Algo por sinal impossível já que a Lei da Relatividade proíbe viajar com velocidades superiores a 1.079.252.848,8 km/h. Só que o que acontece não vai de encontro com o princípio em tela, apenas dá uma volta sobre ele, criando um portal dimensional que permite saltar instantaneamente de um ponto do universo ao outro.
Seu ressurgimento por mais conturbado que aparenta, é prova inequívoca que de um jeito ou de outro, em tese, a nave uniu a menor distância entre dois pontos no espaço-tempo.
Mas vamos à pergunta de um milhão de dólares: onde diabo esteve durante sete anos?
Se não percebeu, sem querer matei a charada.
Clichê* ou não, o festim diabólico proporcionado no desfecho é memorável, um mimo singelo para os amantes do gore – com direito a discípulos obstinados do ilustríssimo Sr. Pinhead.
* A velha história da missão de resgate que dá muito errado.
Cidade das Sombras (Dark City, 1998)
Não sou cinéfilo o bastante para categorizar o que é ou não “cult”, todavia no meu âmago busco qualificar o termo como o “incompreendido da década*”, aquele que terá cacife suficiente para reverberar seus conceitos durante muito tempo.
‘Cidade das Sombras’ de Alex Proyas é o representante na década de noventa deste medíocre escriba.
Exibido nos cinemas um ano antes de ‘Matrix’, rendeu paralelos pertinentes sobre a Saga de Neo, Morpheus e Trinity, acusando-a de plágio. O diferencial estaria justamente nas nuances comportamentais (kafkianas) do primeiro em relação ao segundo**, talvez a razão do fracasso nas bilheterias.
Suposições à parte, certo é que o longa-metragem tem fortes traços do expressionismo alemão, emulando cenários e figurações típicas de Fritz Lang (1890-1976) no causticante e aterrador retrato da sociedade do futuro de ‘Metropolis’ e Friedrich Murnau (1888-1931) com o clássico do vampirismo ‘Nosferatu’.
* ‘Laranja Mecânica’ nos anos 70; ‘Blade Runner’ nos anos 80; e ‘Donnie Darko’ nesta década.
** Que, entre outras coisas, levou os efeitos visuais a outro patamar com o “bullet time”.
O Enredo >>>
Numa cidade onde as trevas são eternas, um homem chamado John Murdoch (Rufus Sewell) acorda num quarto de hotel e descobre que está sendo procurado pela polícia por vários homicídios. O problema é que não se recorda de nenhum deles e loucura ou não, deve existir um motivo escuso para tanto já que, além das autoridades, existem criaturas humanóides* engajadas na persecução.
Conhecidos como “Strangers”, esses seres têm a capacidade ímpar de modificar a realidade conforme seu bel-prazer. Há quem ajude John a descobrir sua verdadeira identidade, como o excêntrico Dr. Daniel Schreber (Kiefer Sutherland), um psiquiatra que ao que parece joga nos dois times.
* Uma raça tão antiga quanto o tempo, cuja tecnologia utópica permitiu-lhes façanhas como a habilidade de alterar a realidade física a partir da vontade – chamavam tal poder de “sintonia”. Todavia, a civilização deles entrou em decadência e às margens da extinção decidiram abandonar seu mundo em busca de uma cura para a própria mortalidade. A jornada sem fim trouxe-os a um pequeno mundo azul nos confins da galáxia, irradiado por “inconvenientes” raios solares...
Dizer mais que isso significaria entregar boa parte das surpresas que a segunda metade do filme nos reserva, uma vez que ‘Cidade das Sombras’ nunca foi exatamente uma unanimidade, tão pouco celebrada quanto à famigerada trilogia dos Wachowski.
Só pra atiçar sua curiosidade, preste bastante atenção em ‘New Avengers Illuminati #03’ e o novo tratamento administrado por Brian M. Bendis a Beyonder.
A Mão do Diabo (Frailty, 2002)
A 'Mão do Diabo' é um thriller psicológico cunhado sob fé, inocência perdida e a natureza do bem e do mal no mundo contemporâneo. O título original, "Frailty", se refere à fraqueza da condição humana segundo perspectivas bíblicas (trocando em miúdos, uma adaptação moderna do conto de Abraão e Isaac).
O enredo >>>
O caso do serial killer que se autonomeia como "Mão de Deus" parecia um beco sem saída para o Agente Federal Wesley Doyle (Powers Boothe de 24 Horas e Deadwood) até o dia que um homem misterioso (Matthew McConaughey) entra no seu escritório e diz ter conhecimento da identidade do assassino.
De início Doyle não evidencia qualquer surpresa com a afirmação, mas fica intrigado com a história e pede maiores esclarecimentos até porque, se o caso não for lorota, o homicida é o irmão caçula do sujeito.
O relato dá lugar a uma narrativa através flashbacks da infância sob os cuidados de um pai que acreditava estar imbuído de uma missão divina, que consistia em destruir demônios que habitavam corpos humanos. Segundo o próprio, o pai havia recebido o chamado de um anjo, assim como as armas e a lista com os nomes dos hospedeiros.
Enquanto o irmão mais velho (Fenton) passava a interpretar os atos do pai como o início de uma profunda alienação mental com desvios de personalidade, o mais novo (Adam) o via como um herói. O impasse entre o trio culmina quando o pai castiga Fenton trancando-o* num porão que o próprio acabara de cavar e construir.
* Se me permite a analogia, segue um contexto similar ao do aprisionamento de Jesse Custer dentro de um caixão submerso em 'Até o Fim do Mundo'.
Seguindo a cartilha de Alfred Hitchcock e Robert Aldrich, Bill Paxton debuta na cadeira de diretor em grande estilo, inclusive interpretando o pilar da trama de maneira convincente, vivendo o "pai" (creditado apenas assim) com tamanha força, compaixão e culpabilidade que quando o mesmo chega a um ponto de ruptura viesado em extremismos, ainda assim destila ambigüidade e credibilidade em cena.
Seguramente foi essa atuação que lhe conferiu o condão para viver Bill Henrickson da ótima série (da HBO), "Big Love" (Imenso Amor).
Plataforma do Medo (Creep, 2004)
Talvez sejam de Edgar Wright as críticas mais ácidas (e não menos cômicas) sobre o estilo de vida dos ingleses neste princípio de século (em ‘Shaun of the Dead’ e ‘Hot Fuzz’). Mas certamente são as de Christopher Smith as mais sangrentas (e não menos paradoxais*).
* Só assistindo para entender...
O enredo >>>
Após adormecer enquanto aguardava o último trem numa estação de metrô londrina, Kate (Franka Potente de Anatomia e Identidade Bourne) chegou a pensar que o pior que poderia lhe acontecer seria lidar com mendigos ou estupradores da área.
Ledo engano. Há algo muito pior* lhe espreitando.
Dedico o vídeo abaixo ao patrocinador do texto (e amante de bizarrices, Doggma do BZ).
* É um saco! Minha cabeça não consegue parar de subscrever conexões da 7ª com a 9ª arte, mas é impossível não relacionar o canibal Edward Whelan, o “Ratus”, de ‘A Última Caçada de Kraven’ com o “Craig” de ‘Plataforma do Medo’.
Escrito por LUWIG
Antes de ir direto ao pote, conste em ata que partilharei esse saboroso "abacaxi" com os amigos Kelnner do Smells like Shit, Marcelo do Dizforme, Marlo do Catapop, Renmero do Bunker e o Ricardo Malta do Videodrome.
Posto isso, eis os meus:
Mutação (Mimic, 1997)
O diretor mexicano Guillermo del Toro já havia dado sinais que estava às vias de se tornar um exímio contador de histórias em seu primeiro filme, 'Cronos', inclusive com os maneirismos que hoje o tornaram conhecido.Em ‘Mutação’, primeiro vôo em paragens norte-americanas, estão lá os vermes asquerosos, a carga de terror em crescendo (na proporção inversa à sua manifestação) e o imponente “B” maiúsculo do gênero.
O Enredo >>>
Uma epidemia disseminada a partir de baratas põe termo à vida de mil crianças em Nova York, dizimando a população infantil de Manhattan. A doença só é erradicada quando uma entomologista (Mira Sorvino) desenvolve uma mutação em baratas, programando-as geneticamente para eliminar as que propagam o vírus.
Chamada de “Geração Judas”, a colônia deveria se auto-extinguir em seis meses. “Deveria”.
Três anos mais tarde, Susan (a cientista em questão) constata que os insetos modificados, que deveriam durar apenas uma geração, continuam vivos, se reproduzindo e evoluindo ao ponto de alcançarem estatura humana. O súbito desaparecimento da mendicância local dá pistas que os artrópodes vitaminados tornaram-se basicamente carnívoros e estão prestes a deixar os subterrâneos da metrópole.
Confesso que o que está por vir é deveras previsível, mas nem por isso menos revigorante, grotesco e claustrofóbico*, ou seja, Susan e um grupo de incautos coadjuvantes descem os esgotos para colher dados e buscar uma solução antes que a invasão de fato ocorra.
* Frise-se a atmosfera de tensão criada nos momentos que antecederam o ataque ao vagão abandonado.
O Enigma do Horizonte (Event Horizon, 1997)
Longe de mim refutar todas as limitações históricas de Paul W. S. Anderson como diretor, pelo contrário, ele é ruim que dói* e praticamente nada em sua biografia se salva. Exceto, é claro, ‘O Enigma do Horizonte’ (ou pelo menos os instantes finais).* Na minha ótica, ele é para o cinema o que Chuck Austen é para os quadrinhos.
O enredo >>>
Logo de partida recebemos alguns informes para nos situarmos:
2015 – primeira colônia permanente estabelecida na Lua;
2032 – tem início a mineração comercial em Marte;
2040 – nave espacial de pesquisas ‘Event Horizon’ é lançada para explorar as fronteiras do sistema solar, desaparecendo além do oitavo planeta, Netuno;
2047 – foi detectada uma transmissão na órbita em volta de Netuno, a fonte: ‘Event Horizon’.
O que veio ao público foi que o reator atingiu um ponto crítico e explodiu. Segundo o engenheiro-chefe e físico criador da espaçonave, Dr. Weir (Sam Neill), “pura balela”. O ‘Event Horizon’ foi o ponto alto de um projeto secreto para criar uma nave capaz de viajar mais rápido que a luz.
Algo por sinal impossível já que a Lei da Relatividade proíbe viajar com velocidades superiores a 1.079.252.848,8 km/h. Só que o que acontece não vai de encontro com o princípio em tela, apenas dá uma volta sobre ele, criando um portal dimensional que permite saltar instantaneamente de um ponto do universo ao outro.
Seu ressurgimento por mais conturbado que aparenta, é prova inequívoca que de um jeito ou de outro, em tese, a nave uniu a menor distância entre dois pontos no espaço-tempo.
Mas vamos à pergunta de um milhão de dólares: onde diabo esteve durante sete anos?
Se não percebeu, sem querer matei a charada.
Clichê* ou não, o festim diabólico proporcionado no desfecho é memorável, um mimo singelo para os amantes do gore – com direito a discípulos obstinados do ilustríssimo Sr. Pinhead.
* A velha história da missão de resgate que dá muito errado.
Cidade das Sombras (Dark City, 1998)
Não sou cinéfilo o bastante para categorizar o que é ou não “cult”, todavia no meu âmago busco qualificar o termo como o “incompreendido da década*”, aquele que terá cacife suficiente para reverberar seus conceitos durante muito tempo.‘Cidade das Sombras’ de Alex Proyas é o representante na década de noventa deste medíocre escriba.
Exibido nos cinemas um ano antes de ‘Matrix’, rendeu paralelos pertinentes sobre a Saga de Neo, Morpheus e Trinity, acusando-a de plágio. O diferencial estaria justamente nas nuances comportamentais (kafkianas) do primeiro em relação ao segundo**, talvez a razão do fracasso nas bilheterias.
Suposições à parte, certo é que o longa-metragem tem fortes traços do expressionismo alemão, emulando cenários e figurações típicas de Fritz Lang (1890-1976) no causticante e aterrador retrato da sociedade do futuro de ‘Metropolis’ e Friedrich Murnau (1888-1931) com o clássico do vampirismo ‘Nosferatu’.
* ‘Laranja Mecânica’ nos anos 70; ‘Blade Runner’ nos anos 80; e ‘Donnie Darko’ nesta década.
** Que, entre outras coisas, levou os efeitos visuais a outro patamar com o “bullet time”.
O Enredo >>>
Numa cidade onde as trevas são eternas, um homem chamado John Murdoch (Rufus Sewell) acorda num quarto de hotel e descobre que está sendo procurado pela polícia por vários homicídios. O problema é que não se recorda de nenhum deles e loucura ou não, deve existir um motivo escuso para tanto já que, além das autoridades, existem criaturas humanóides* engajadas na persecução.
Conhecidos como “Strangers”, esses seres têm a capacidade ímpar de modificar a realidade conforme seu bel-prazer. Há quem ajude John a descobrir sua verdadeira identidade, como o excêntrico Dr. Daniel Schreber (Kiefer Sutherland), um psiquiatra que ao que parece joga nos dois times.
* Uma raça tão antiga quanto o tempo, cuja tecnologia utópica permitiu-lhes façanhas como a habilidade de alterar a realidade física a partir da vontade – chamavam tal poder de “sintonia”. Todavia, a civilização deles entrou em decadência e às margens da extinção decidiram abandonar seu mundo em busca de uma cura para a própria mortalidade. A jornada sem fim trouxe-os a um pequeno mundo azul nos confins da galáxia, irradiado por “inconvenientes” raios solares...
Dizer mais que isso significaria entregar boa parte das surpresas que a segunda metade do filme nos reserva, uma vez que ‘Cidade das Sombras’ nunca foi exatamente uma unanimidade, tão pouco celebrada quanto à famigerada trilogia dos Wachowski.Só pra atiçar sua curiosidade, preste bastante atenção em ‘New Avengers Illuminati #03’ e o novo tratamento administrado por Brian M. Bendis a Beyonder.
A Mão do Diabo (Frailty, 2002)
A 'Mão do Diabo' é um thriller psicológico cunhado sob fé, inocência perdida e a natureza do bem e do mal no mundo contemporâneo. O título original, "Frailty", se refere à fraqueza da condição humana segundo perspectivas bíblicas (trocando em miúdos, uma adaptação moderna do conto de Abraão e Isaac).O enredo >>>
O caso do serial killer que se autonomeia como "Mão de Deus" parecia um beco sem saída para o Agente Federal Wesley Doyle (Powers Boothe de 24 Horas e Deadwood) até o dia que um homem misterioso (Matthew McConaughey) entra no seu escritório e diz ter conhecimento da identidade do assassino.
De início Doyle não evidencia qualquer surpresa com a afirmação, mas fica intrigado com a história e pede maiores esclarecimentos até porque, se o caso não for lorota, o homicida é o irmão caçula do sujeito.
O relato dá lugar a uma narrativa através flashbacks da infância sob os cuidados de um pai que acreditava estar imbuído de uma missão divina, que consistia em destruir demônios que habitavam corpos humanos. Segundo o próprio, o pai havia recebido o chamado de um anjo, assim como as armas e a lista com os nomes dos hospedeiros.
Enquanto o irmão mais velho (Fenton) passava a interpretar os atos do pai como o início de uma profunda alienação mental com desvios de personalidade, o mais novo (Adam) o via como um herói. O impasse entre o trio culmina quando o pai castiga Fenton trancando-o* num porão que o próprio acabara de cavar e construir.* Se me permite a analogia, segue um contexto similar ao do aprisionamento de Jesse Custer dentro de um caixão submerso em 'Até o Fim do Mundo'.
Seguindo a cartilha de Alfred Hitchcock e Robert Aldrich, Bill Paxton debuta na cadeira de diretor em grande estilo, inclusive interpretando o pilar da trama de maneira convincente, vivendo o "pai" (creditado apenas assim) com tamanha força, compaixão e culpabilidade que quando o mesmo chega a um ponto de ruptura viesado em extremismos, ainda assim destila ambigüidade e credibilidade em cena.
Seguramente foi essa atuação que lhe conferiu o condão para viver Bill Henrickson da ótima série (da HBO), "Big Love" (Imenso Amor).
Plataforma do Medo (Creep, 2004)
Talvez sejam de Edgar Wright as críticas mais ácidas (e não menos cômicas) sobre o estilo de vida dos ingleses neste princípio de século (em ‘Shaun of the Dead’ e ‘Hot Fuzz’). Mas certamente são as de Christopher Smith as mais sangrentas (e não menos paradoxais*).* Só assistindo para entender...
O enredo >>>
Após adormecer enquanto aguardava o último trem numa estação de metrô londrina, Kate (Franka Potente de Anatomia e Identidade Bourne) chegou a pensar que o pior que poderia lhe acontecer seria lidar com mendigos ou estupradores da área.
Ledo engano. Há algo muito pior* lhe espreitando.
Dedico o vídeo abaixo ao patrocinador do texto (e amante de bizarrices, Doggma do BZ).
* É um saco! Minha cabeça não consegue parar de subscrever conexões da 7ª com a 9ª arte, mas é impossível não relacionar o canibal Edward Whelan, o “Ratus”, de ‘A Última Caçada de Kraven’ com o “Craig” de ‘Plataforma do Medo’.
Escrito por LUWIG
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