Domingo, Abril 19, 2009

Livin' On The Edge

Meus freqüentes sumiços não me deixam mentir, tenho sérios distúrbios de regularidade e vez ou outra até que tento fecundar alguns tópicos fixos nessa birosca, mas sempre acabo caindo no lugar comum e sigo com as postagens de praxe.

Não faço idéia (e ainda por cima a uso com acento) se o que estou esboçando a seguir irá se validar, o que sei é que estou propenso a fazer uma varredura aos sábados de tudo que consumi durante uma quinzena. Portanto, sinta-se a vontade para conferir nosso menu.

Batman: The Brave and the Bold

Aí está uma animação quiróptera que foi cercada de vibrações negativas desde seus primórdios e terminou pegando todos os pessimistas de calças curtas (inclusive este que vos fala). Sim, Batman: The Brave and the Bold não tem nada que nos remonte ao exemplar noventista, mas é tão bom quanto, isto é, dentro da premissa adotada de malabarismos conceituais, digamos assim, em tons mais coloridos.

Calma lá, o tom da série é dez vezes mais leve que as antecessoras, mas ao fim de vinte minutos de exibição não te dá vergonha de tê-lo assistido, tão pouco faz do protagonista aquele paspalhão dos anos sessenta. Pelo contrário, o Batman aqui faz justiça ao dos quadrinhos, mais precisamente a aquela concepção invencível e estrategista nato das versões de Grant Morrison.

Lógico que a coisa descamba completamente para a veia heróica e, por que não, aventureira, do personagem com atuações à luz do dia e o velho emblema de auréola dourada para reforçar a mensagem. Deus, e quando pensamos que vai sair algo estúpido e eloqüente da boca dele, temos a voz reconfortante de Diedrich Bader* para nos ajudar a levá-lo sério.

* Parecidíssima com a de Kevin Conroy.

Conferi nove dos quinze episódios exibidos até então, dos quais destaco:



O terceiro e último flashback de ‘Invasion of the Secret Santas!(S01E04) em que Batman relembra o dia em que perdeu seus pais naquele beco escuro. Um primor de narrativa, violento e sugestivo na medida certa.



A passagem em que Kamandi* ajuda Batman a regressar ao passado com a vacina para resolver de uma vez por todas a condição humana no futuro. Ação vertiginosa e deveras interpretativa, inclusive deixando nas entrelinhas pistas de que Darkseid esteve por ali (Final Crisis?).

* Ao lado de Blackest Night, Wednesday Comics me parece ser o que vem de melhor por aí em 2009. E o que Kamandi tem com isso? Nada, meu amigo, simplesmente nada.



Por fim, uma ótima alusão aos recentes acontecimentos no encontro com Boston Brand no além. Este trecho e o anterior foram retirados do sugestivo ‘Dawn of the Dead Man(S01E07).

The Big Bang Theory

Não é de hoje que este sitcom costuma funcionar como um delineador natural de minha cara cada vez mais carrancuda, mas dessa vez, com ‘The Hofstadter Isotope(S02E20), sério, tive câimbras no rosto.

Como sempre, tudo soa como “piada interna” para nós que vivemos intensamente a cultura pop, sobremaneira as vicissitudes da nona arte, o que me chamou atenção nesse episódio em específico foi a forma como se tirou sarro do impermeável e nada convidativo Universo DC.

Detalhe, fãs fazem isso o tempo inteiro e, aparentemente, os criadores também, o que, diga-se de passagem, é espantoso, visto que o programa é uma produção da Warner e a DC Comics uma divisão da mesma. Daí, das duas, uma: (1) ou está rolando um lance espirituoso de autocrítica na empresa; ou (2) o deboche passou por baixo do radar dos executivos.

Cá entre nós? Estou mais inclinado à segunda hipótese.

House

Se a temporada corrente continuar derrotista como está, é muito provável que Gregory House ampute sua perna direita até o desfecho deste quinto ano. O que não deixaria de ser uma conjectura plausível, basta prestar atenção em ‘Painless(S05E12) que terás um vislumbre do que está guardado para o bom doutor.

Caso não o faça, cedo ou tarde seu gênio cada vez mais difícil e afeito a joguetes doentios, implodirá como reação em cadeia. E os primeiros sinais estão aí, flertando com a loucura e envenenando voluntariamente (ou não) todos que o cercam.

Começando por James Wilson que fatalmente nunca será o mesmo depois daquele fatídico dia; Lisa Cuddy tem buscado a felicidade pelos caminhos mais espinhosos possíveis, como mãe solteira de uma criança adotada ou na figura de um amor sinuoso e com grandes chances de não dar em nada; quanto à equipe de diagnóstico, o negócio anda feio, por um lado temos Eric Foreman & Remy 13 Hadley vivendo uma relação disfuncional com altos e baixos* que a qualquer hora podem sepultar seu romance; do outro temos Chris Taub, um monstrinho que House vinha criando e está às vias de perder o controle; e Lawrence Kutner, o único que parecia lidar bem com os caprichos do chefe e a pressão do trabalho até nos depararmos com a inesperada notícia de seu suicídio - um puta soco na boca do estômago!

* Que seria o difícil desafio de lidar com a doença da qual ela é portadora (Huntington).

Se continuarem nessa curva ascendente, os picos de adrenalina e o nível de surpresas tendem a se exceder mais ainda no clímax da temporada que, só para constar, está próximo (11 de maio).

Escrito por LUWIG

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