Quinta-feira, Abril 30, 2009

Somewhere after the Rainbow

Anunciada em 2007 como a terça parte de uma trilogia, ‘The Blackest Night’ está aí, sem pirotecnia alguma, prestes a destampar caixões, interromper o sono de alguns justos (ou injustos) e arrancá-los de seus santos (ou nefastos) sepulcros. Mais que outro quadrinho inspirado no canibalismo cadavérico de George Romero, a promissora minissérie em oito capítulos é incontestavelmente o projeto mais audacioso e extenso em pormenores capitaneado por Geoff Johns, quiçá da própria DC Comics.

Contudo, o prolífico autor não é o único que tem feito os fãs roer as unhas de ansiedade, se não sabe, sua retaguarda está sendo muito bem protegida em Green Lantern Corps por Peter J. Tomasi que, verdade seja dita, vem conduzindo a mitologia esmeralda a patamares nunca antes alcançados. Aliás, é tudo culpa dele e poucos têm conhecimento disso, do que estou falando? Ora, no início de 2003, como editor, foi o próprio que tomou a iniciativa de trazer Hal Jordan de volta ao jogo, inclusive o responsável por convidar e impulsionar Johns a fazê-lo.

O homem ainda é dono de três façanhas impressionantes: (1) trouxe Reino do Amanhã à atenção da DC; (2) cuidou pessoalmente do relançamento da SJA para novas gerações; e (3) protagonizou o único arco decente (e último) do malfadado título mensal do Asa Noturna.

Assumindo as rédeas da Tropa logo após Sinestro Corps War, precisamente num ponto cronológico onde Johns recontava no carro-chefe os primórdios* de Hal Jordan, Tomasi, por sete meses ficou a cargo, sozinho, de desenvolver a miríade de subtramas estabelecidas no pós-guerra. O resultado é que perdemos um editor competente e vivaz, ganhamos um roteirista de mente aberta e muito consciente do potencial de destruição de suas histórias.

* Adequando sua origem secreta a elementos recentes como o do massacre do Setor 666, as profecias dos Cinco Inversores e o destino sombrio de William Hand.

E que histórias, e que personagens.

Até parece que só agora, Kyle Rayner, com quinze anos de estrada e Guy Gardner com quarenta, é que amadureceram como personagens. Enquanto o primeiro se descobriu como o coadjuvante nato que, vá lá, sempre deveria ter sido, o segundo transcendeu de um tolo irritante para um oficial sagaz e sarcástico. Destacá-los como dupla* só colaborou para enriquecê-los individualmente, visto que Rayner manteve intacta sua personalidade, mas no lugar de choroso e piegas, passou a ser calejado e racional, e Gardner, o referencial que devemos tomar é o de um Sawyer (de Lost)menos Sawyer” e “mais Lafleur(se é que me entende).

* Só faltou uma coisa nesta seqüência: que a risada do Salaak soasse propositalmente como a do Guy, a clássica “BWA-HA-HA-HA-HÁ”.

Tal qual como Johns, Tomasi está à frente dos enredos com pelo menos dez jogadas prontinhas que mais tarde viriam a lhe favorecer como xeque-mate.

Uma delas é a participação de Mongul como usurpador do lugar de Sinestro na sua Tropa, deixando para trás uma vasta pilha de corpos e um lugar à altura reservado nos anais do Livro de Parallax. A começar pelo incidente no Planeta das Clemências Negras (em Green Lantern Corps #20 e #23-26) que, entre outras coisas, revela a origem das plantinhas mal criadas de uma forma que arrancaria um sorriso maroto até mesmo de seu horticultor (Alan Moore), e depois removendo a base dos portadores de anéis amarelos de Qward para a xenófoba Daxam.

* Seus oficiais têm informações desencontradas do líder, uns tantos pensam que fora morto durante a ação em Coast City, outros que estaria sendo mantido como prisioneiro nas ciencelas de Oa e alguns crêem que a execução pública em Korugar alcançou êxito. Certo mesmo é que a última suposição se concretizaria não fosse à intromissão de um punhado de asseclas fiéis ao seu senhor e ainda por cima a primeira investida dos Lanternas Vermelhos.

Duas coisas devem ser ditas ainda sobre a Tropa Amarela, em primeiro lugar, após o desastroso clímax da guerra, houve dispersões e retrocessos generalizados na qualidade do efetivo, sem hierarquia e treinamento consistente, contando apenas com Arkillo para a tarefa, o que se vê hoje é um grupo que contrasta com o original, desordenado e formado por uma esmagadora maioria de buchas de canhão. E em segundo, mesmo com pessoas “bem intencionadas” como Mongul, a ausência de Sinestro e tenentes como Prime e Henshaw ou Parallax e o Anti-Monitor (umGuardiãoàs avessas), é sentida principalmente na carência de notáveis como Bedovian, Despotellis, Fatality, Karu-Sil e Lyssa Drak.

Em contrapartida, temos Kryb* e os gêmeos quíntuplosou simplesmente oQuintetoEna, Pente, Tessera, Theo e Tria fazendo bastante estrago nos alicerces da Tropa do Lanternas Verdes, seja raptando os filhos pequenos, seja exterminando seus entes queridos.

* Impressão minha ou ela partilha do mesmo perfil das criaturas aterrorizantes que Guillermo del Toro costuma conceber?

A tática em tela teve sucesso tanto na vitória como na conseqüente derrota, isto porque, num primeiro momento, os resultados alcançados serviram para incutir medo nos recrutas e desequilibrar os oficiais mais graduados, e num segundo momento, quando a ameaça já se encontrava contida, deu bojo para que os Guardiões instituíssem outra adição (a terceira) ao Livro de Oa.

Basta dizer que a mesma repercutiu como resignações em massa por parte dos amantes entre as fileiras daquela Tropa. O que viria a calhar como um ponto a favor das Safiras Estrelas visto que os ex-oficiais esmeraldas a princípios seriam fortes candidatos a arrebanhar o espectro emocional do amor (violeta).

A ironia é que não foi preciso um conflito sangrento para que os Lanternas Verdes perdessem mais membros, mas sim o mero reflexo impopular desta reforma que a curto prazo tende a enfraquecer significativamente o contingente verde e colaborar com aqueles presságios de Atrocitus (em Green Lantern #37).

Outrora seres atrelados fortemente aos próprios desígnios, os anões azuis estão cada vez mais pró-ativos e com uma crueza fatalista que incomoda e os faz crer em uníssono que a paz só seria possível com a supressão completa das emoções. E para piorar as coisas, entre eles está uma traidora*, a GuardiãScar” dando uma de “Palpatine”, fazendo jogo duplo e atuando nos bastidores para que alguém dispare o primeiro anel e a guerra das luzes seja deflagrada.

A mais recente sabotagem desta última foi a de facilitar a fuga de Vice (Lanterna Vermelho do Setor 13), um verdadeiro cão raivoso que varre o chão com o carcereiro Voz e os prisioneiros da Tropa Sinestro que ali estavam.

* Ao se ferir na contenda contra o Anti-Monitor (em Green Lantern #25), de alguma forma sua alma se perdeu entre as trevas e o lânguido das energias liberadas.

Emotion Sickness

As particularidades de cada anel e os respectivos gatilhos morais que incitam seus construtos têm fugido ao senso comum de maniqueísmo e previsibilidade, estabelecendo conceitos ímpares de critério e fundamentação. Na boa? Nas mãos de outros, daria tudo no mesmo.

VERMELHO = ÓDIO >>> O objetivo de Atrocitus, o último dos Cinco Inversores, é simples, vingar-se dos Guardiões pelo massacre do Setor 666 e, por tabela, de Sinestro e Jordan. Não há qualquer política no trato com estes Lanternas, incapazes de pensar claramente ou com razão*, atacando a esmo o quer que esteja no seu ângulo de visão. O ímpeto de cólera habilita o uso do anel e faz com que o sangue do portador queime como napalm e seja expelido pela boca.

* Apenas Atrocitus, seu líder, tem domínio pleno das faculdades mentais.

LARANJA = AVAREZA >>> Muita coisa sobre este espectro emocional ainda está por ser revelado, mas o que sabemos é que ele tem uma influência parecida com a que o “Um Anel” exercia sobre Gollum, e no caso aqui, Larfleeze.

O que se sabe com certeza é que, há milênios atrás, os Guardiões da luz verde fizeram um pacto com os da laranja que enquanto estes últimos a mantivessem enterrada, seu sistema solar (Vega) estaria fora da jurisdição da Tropa dos Lanternas Verdes.

Recentemente, a Guardiã Scar mexeu alguns pauzinhos para que o trato fosse quebrado, forçando o “Agente Laranja” a se revelar e, pelo andar da carruagem, tudo indica que muito excremento cítrico está prestes ser jogado no ventilador.

AMARELO = MEDO >>> De algum jeito, após resolver algumas pendências pessoais, Sinestro deverá reaver a “glória” de sua Tropa. Isto é inconteste, e é inconteste também que este é hoje o antagonista mais tridimensional deste Universo, talvez o mais próximo de um “Magneto” na DC Comics (ver 01-02-03).

E se as coincidências entre tudo que está acontecendo e o que se sucede no manifesto ‘Crepúsculo dos Super-Heróis’ de Alan Moore pararem por aí, fique avisado, mais um vilão regenerado está pintando pela área.

VERDE = FORÇA DE VONTADE >>> Se não tombar durante a ‘Noite Mais Densa’, deverá sofrer profundas e abrangentes modificações estruturais. Como deixei claro há instantes, meu palpite é que os Guardiões estão com os seus na reta e devem baixar um bocado suas bolinhas como autoridades supremas. E Hal Jordan deve fazer novamente às vezes de “Joaquim Barbosa”.

AZUL = ESPERANÇA >>> A natureza simbiótica que tem com os Lanternas Verdes, fazem deles aliados naturais daquela Tropa já que a mínima proximidade com um azul faz recarregas automáticas dos anéis dos agentes da força de vontade e drena as energias dos do medo. É também o único que pode combater a infecção da chama vermelha.

Pacifistas de carteirinha, a ausência de um Lanterna Verde nas proximidades só garante a estes Lanternas vôo limitado e suporte vital no vácuo do espaço.

PS. Sem opção, para se livrar do anel vermelho, Jordan foi obrigado a portar um verde na mão direita e outro azul na esquerda, o que, só pra constar, tem lhe causado vários problemas.

ANIL = COMPAIXÃO >>> Nada de sabe ainda sobre a chamada “Tribo Índigo”.

VIOLETA = AMOR >>> As* Lanternas aqui funcionam como mantenedoras daquele sentimento indecifrável que induz a obter ou a conservar a pessoa ou a coisa pela qual se sente afeição ou atração. As intenções delas até que seriam muito boas não fosse o fato de estarem lobotomizando hostis sob a premissa de resgatá-las a partir da fagulha de amor que ainda resta em seus corações.

E isso, escreva aí, vai dar em merda. Afinal de contas, só um cego não veria que figurinhas como Fatality, Karu-Sil e Kryb são causas tão perdidas quanto minha dieta do carboidrato.

* Haja vista que até aqui, só vi beldades portando estes anéis.

PRETO = MORTE >>> Muito se especula e pouco se tem de concreto sobre esta Tropa. Sabe-se que a Lanterna Negra emergiu no local onde o Anti-Monitor tombou (o Planeta Ryut) e que no interior de William Hand (o Mão Negra) reside o portal para a escuridão absoluta.

Supõe-se que o poder da mesma deve influenciar e levantar os mortos. Já garantidos nas hordas putrefatas temos pelo menos Arthur Curry, Jonn Jonzz e o Superman da Terra-2, mas suspeito que estejam também no páreo os cadáveres de Ralph & Sue Dibny, Ronnie Raymond, Conner Kent, Bart Allen e os Lanternas Verdes Jack T. Chance, Katma Tui, Ke’Haan, Kreon e Laira.

BRANCO = PAZ ? >>> Não é necessário a união de todas as longitudes do espectro visível para obter o branco, uma vez que se misturássemos apenas as cores vermelha, verde e azul obteríamos o mesmo resultado. É por isso que estas são denominadas cores primárias das cores-luz, porque a soma das três produz o branco. Ademais, todas as cores do espectro podem ser obtidas a partir delas.

Daí minha teoria: será que a coisa vai ficar tão feia a ponto de haver uma interação (ou seria fusão?) destas três luzes ou, quem sabe, de todas para fazer frente ao preto?

Vejam lá, os dois extremos da classificação das cores são: o branco, ausência total de cor, ou seja, luz pura; e o preto, ausência total de luz, o que faz com que não se reflita nenhuma cor. Essas duas "cores", portanto não são exatamente cores, mas características da luz, que convencionamos chamar de cor.

Outra suposição parte deste questionamento da óptica geométrica: porque, cargas d’águas, enxergamos, por exemplo, a cor verde? Simples, um objeto que se apresenta verde, quando iluminado com luz branca, reflete a luz verde e absorve praticamente todas as demais cores do espectro.

Bem, conjecturas à parte, a dica que dou para os não iniciados é a de conferir no próximo mês (maio) a edição #09 de Lanterna Verde (da Panini) que trará consigo o início do arco ‘Origem Secreta’, um ótimo ponto de partida* e prenúncio de tudo que virá.

* Ou se preferir, um puta norte para a vindoura adaptação em live-action.

Escrito por LUWIG

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