Quarta-feira, Junho 23, 2010

Sustentabilidade


Em todo o globo a ordem do dia é essa. Também pudera, com toda a porcaria que deixamos para trás, a dependência intermitente de combustíveis fósseis e o crescimento geométrico da produção de matéria-prima para móveis projetados, é isso mesmo que está pensando, um futuro pós-apocalíptico já bate as nossas portas com a urgência de um Wall-E.

Onde quer que vá, o discurso ecologicamente correto se faz presente, o de práticas de consumo consciente, diminuição de invólucros/sacolas plásticas e o empreendimento de energias limpas. É fato que os ambientalistas, em sua esmagadora maioria, são um bando de estraga-prazeres que não têm outro assunto que não a obsessão por verdades inconvenientes. Não é a toa que nos filmes de catástrofes são sempre os intelectuais desprezados do início que viram heróis do meio para o final.

No princípio da Era Heróica, Tony Stark entra como uma luva nesse papel, melhor dizendo, o visionário subestimado que tem a solução para a questão energética e de pronto é rechaçado pela frente majoritária (e bilionária) que prefere a manutenção do status quo ao risco de comprometer a estabilidade dos respectivos ganha-pães.

Antes de irmos mais a fundo, uma breve recapitulação. Da última vez que tivemos notícias do Homem de Ferro, ele estava às vias de ser reinicializado, literalmente. O problema é que o último backup biopsicológico que havia feito fora no período imediatamente depois da submissão ao Extremis. O que equivale dizer que no disco não existia qualquer traço de memória sobre a sucessão de acertos e equívocos que levaram à edição do ato de registro super-humano, a malfadada diretoria da SHIELD, o desmantelamento da Starktech, a infiltração Skrull e a ascensão de Norman Osborn.

Em vários aspectos, por um deslize, bem ou mal, Stark passou uma borracha tanto na investida ideológica contra Steve Rogers, quanto na sacanice que fez a Thor ao usurpar-lhe o código genético. Pior, sequer suspeita que, enquanto fugia, foi um dos vértices do triângulo amoroso entre Maria Hill e Virginia Pepper Potts. Isso não quer dizer que ele procura qualquer redenção perante o interregno de tempo em que fora, digamos, “mal interpretado”, pelo contrário, Tony tem ciência de sua vida pública e a reafirma com a convicção draconiana que se pudesse, faria tudo novamente e melhor.

Mas claro que há uma nova atitude aqui perante seu “euantecessor, precisamente sobre o que fazer com a inventividade inata num mundo em que a diferença entre a própria tecnologia e a do concorrente é de poucos anos, de forma que independente de interferência, o progresso não é algo que se obste ou evite por muito tempo, o que é escusável é a forma como ele se sucederá. É nesse sentido que Tony, com a isenção que uma tabula rasa permite, reflete sobre as variáveis ideológicas do “código aberto” de Ezekiel Stane.

E a maneira mais eficiente de prevenir guerras de armaduras, espionagem industrial e garantir não apenas um legado a gerações futuras, mas um avanço sem precedentes do mundo civilizado, é popularizando seu invento mais precioso: a energia repulsora.

No que toca ao maquinário da armadura, com o perdão do trocadilho, uma nova roupagem. Durante a deleção de arquivos, Tony perdeu a capacidade de gerir muitas das funções vitais autônomas como, por exemplo, as do cerebelo, telencéfalo e medula óssea. O que está emulando atualmente esses processos é o código de máquina da bateria repulsora em seu peito, agora em permanente comunicação com o córtex. Tamanhas implicações resvalam igualmente na indumentária rubro-dourada, com enxertos de nanotecnologia dispersos em todo o corpo, o que por sinal faz valer todas as acepções da palavra “transformação”.

A priori, a Bleeding Edge Armor não tem lá um design tão palatável quanto à marcante Extremis Armor-M (XXXII, M I), mas indubitavelmente todo o background orgânico por trás dela, é de longe um dos upgrades mais pontuais do acervo do personagem. Eu diria que difícil até de superá-la.

Outro ponto crucial nos enredos de Invencible Iron Man é a arquitetura de relações e co-relações entre protagonista, coadjuvantes e convidados especiais que direta ou indiretamente vão contribuindo para que Stark reencontre seu lugar no Universo Marvel. Da #25-27, despontam as participações de Reed Richards patrocinando a logística para que Tony construa o traje em tela; o início de uma aproximação com o Deus do Trovão; e, é claro, uma Srta. Potts impagável, disposta a encarar novamente os riscos de se vestir como o patrão (e outrora amante).

Por fim, Matt Fraction & Sal Larroca continuam fazendo dessa, a leitura mais geek e recompensadora de todo o checklist do Joe (Quesada). Pena que a dupla sequer* fora lembrada nas indicações do Eisner Awards 2010.

* O Sal foi na categoria melhor capista, mas daí não conta, conta?

Sobre o Cerco

Sim, foi um clímax redondinho, definitivamente à altura do que representou o Reinado Sombrio para a comunidade super-heróica do Tio Stan. É verdade que houve alguns trechos gratuitos e outros forçosos* por demais, contudo, diferente da arrastada Invasão Secreta (com 8 capitulos), Cerco foi breve (com 4), incisiva e serviu ao que se prestou, leia-se, resolver o elefante branco que se tornou o ato de registro** e, mais importante, resgatar do ostracismo sua santíssima trindade.

Era a deixa perfeita para Brian Michael Bendis passar a tocha e deixar que outra equipe criativa definisse dali em diante os rumos dos Vingadores. No entanto, o que se viu é que o roteirista megalomaníaco não é lá muito afeito em largar seu(s) osso(s). Por enquanto, não posso sequer alfinetá-lo, já que ainda não conferi ‘Avengers’ e tão pouco o reboot de ‘New Avengers’, mas que vai ser um bis difícil de se engolir, isso vai.

* Ninguém ali, mesmo com o Bob momentaneamente no volante, tinha poder para fazer o que fizeram, não depois das revelações de Dark Avengers #12-13.

** Estou totalmente de acordo com o ponto de vista de Felipe Velloso (do Ambrosia). O modo com o qual a presente lei fora revogada é uma afronta descarada a inteligência do leitor, um verdadeiro “desastre político”.

Escrito por LUWIG

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